Diabetes e problemas ortopédicos: o alerta que pode estar nos seus movimentos
No Dia Nacional do Diabetes, 26 de junho, especialistas chamam atenção para complicações musculoesqueléticas.
Quando se fala em diabetes, muitas pessoas associam a doença apenas ao controle da glicose e às complicações cardiovasculares, renais ou oftalmológicas. No entanto, o diabetes também pode afetar músculos, tendões, ligamentos e articulações, causando dores, rigidez e limitação dos movimentos que impactam diretamente a qualidade de vida.
Entre as alterações musculoesqueléticas mais comuns nos diabéticos estão: ombro congelado (capsulite adesiva), dedo em gatilho, tendinopatias, a síndrome da mão diabética (que causa espessamento da pele e limitação do movimento dos dedos), além do aumento do risco de osteoartrite, osteoporose e problemas nos pés e tornozelos. Outras patologias que podem aparecer são: contratura da aponeurose palmar (tecido da palma puxa gradualmente os dedos para posição dobrada) e artropatia de Charcot (doença grave que causa danos nos nervos e levam à destruição progressiva das articulações, especialmente nos pés e tornozelos).
No INTO, os especialistas alertam que dores persistentes nos ombros, dedos que travam ao movimentar, rigidez articular ou muscular e perda de mobilidade não devem ser encaradas apenas como sinais do envelhecimento. Em alguns casos, essas manifestações podem ser indicativos precoces de diabetes ainda não diagnosticado ou de um controle inadequado da doença. “O diagnóstico precoce e um acompanhamento ortopédicos para identificar complicações musculoesqueléticas antes da progressão das limitações funcionais e rigidez são fundamentais. A dor impacta muito na qualidade de vida e compromete as atividades do dia a dia”, destaca o ortopedista Dr Márcio Schiefer, chefe da Área de Ensino (ARENS).
Maior incidência de ombro congelado é em pacientes diabéticos
Estudos mostram que pessoas com diabetes apresentam maior risco de desenvolver ombro congelado e dedo em gatilho, quando comparadas à população geral. De acordo com especialistas do Hospital Indraprastha Apollo, de Nova Déli na Índia, cerca de 10 a 30% dos pacientes diabéticos sofrem com ombro congelado, em comparação com apenas 2 a 3% no restante da população. Ombro congelado é uma condição que ocorre quando a cápsula que envolve a articulação do ombro (normalmente flexível) passa por um processo inflamatório e se torna grossa e rígida.
Segundo especialistas, níveis elevados de glicose por longos períodos favorecem alterações no colágeno e nos tecidos conjuntivos, tornando tendões e ligamentos mais rígidos e menos flexíveis. A formação de produtos finais de glicação avançada acumula-se nos tendões e bursas, tornando os tendões menos elásticos e propensos à degeneração e ruptura. Além disso, o comprometimento da circulação sanguínea pode dificultar a cicatrização e acelerar processos degenerativos. O diabético também tem déficit de sensibilidade nas extremidades, e por diversas razões pode ter ferimentos nos pés, que resultem em amputações e problemas musculoesqueléticos.
A prevenção passa pelo controle adequado da glicemia, prática regular de atividade física, manutenção do peso saudável e avaliação médica diante de sintomas persistentes. Quando identificadas precocemente, muitas dessas condições podem ser tratadas com sucesso por meio de fisioterapia, exercícios específicos e acompanhamento ortopédico especializado. Em alguns casos, é necessário fazer infiltrações e uso de medicamentos orais para controle da dor.
Cuidar do diabetes também é cuidar da sua mobilidade. Ao primeiro sinal de dor ou rigidez persistente, procure orientação médica.
26/06/2026

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