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Transplantes ortopédicos avançam no país e ampliam acesso à reconstrução

Pacientes relatam como as técnicas reconstrutivas mudaram suas vidas.

Recuperar movimentos, voltar a caminhar sem dor ou retomar atividades que pareciam impossíveis. Para muitos pacientes, o transplante de tecidos musculoesqueléticos representa mais do que um procedimento médico, é a possibilidade concreta de reconstruir a própria vida. E essa transformação tem chegado cada vez mais longe no Brasil. Isso acontece porque levar tratamento de alta complexidade a quem mais precisa, independente da localização, passou a ser uma realidade em expansão por meio do Banco de Tecidos Multiesqueléticos do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO).

Atualmente, o Instituto distribui tecidos como osso, tendão, cartilagem e menisco, para 16 estados brasileiros. Só em 2025, foram realizados cerca de 1.000 transplantes em 72 hospitais pelo país. O trabalho também tem chegado com mais força na Região Norte, onde o acesso a esse tipo de procedimento ainda era mais limitado.

Referência nacional na captação, processamento e distribuição de enxertos para cirurgias ortopédicas complexas, o banco de tecidos multiesqueléticos do INTO tem mudado a vida de muitos pacientes. Esses tecidos são fundamentais para reconstruções articulares, tratamento de lesões graves e recuperação da mobilidade de pessoas que, muitas vezes, já não tinham outras alternativas terapêuticas.


Histórias de superação mostram como o acesso ao transplante pode transformar vidas

Em Rondônia, por exemplo, onde o transplante de tecidos multiesqueléticos chegou há dois anos, alguns casos evidenciam o impacto do procedimento. O paciente Wilson Alves do Nascimento, de 32 anos, foi o primeiro a ser submetido à técnica na região. A cirurgia foi realizada pelo Dr. Nelson Marquezini e Dr. Rodrigo Vick, em conjunto com o chefe do Banco de Multitecidos Humanos do INTO, Dr. Rafael Prinz, que deu suporte nesse primeiro procedimento, no Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro (HBAP), em Porto Velho.

Vítima de um grave acidente de moto, Wilson passou quatro anos andando de muletas e enfrentou um longo processo de tratamento, com fisioterapia e diversas cirurgias, porém, nada dava certo. Durante esse período, chegou a correr o risco de amputação da perna.

“Passei por um processo muito difícil. Não aguentava mais andar de muletas. Fiz algumas cirurgias e meu corpo rejeitou a colocação de hastes (implante metálico). Em 2024, fiz o transplante de tecido para corrigir a falha óssea. De lá para cá, minha vida mudou. Eu estava sem trabalhar e, depois do implante, voltei a ter minha vida de volta. Hoje trabalho como motorista de aplicativo”, conta.

Outro exemplo é o da aposentada Clarice Pereira da Costa, de 65 anos, moradora de Porto Velho. Após sofrer um grave acidente, ela passou 15 anos andando de muletas, entre cirurgias e processos de reabilitação.

“Tive um acidente em 2010 e passei a andar de muletas por 15 anos. Nesse período, passei por duas cirurgias, mas não tive êxito. Sentia dores dia e noite. Depois que fiz o enxerto ósseo, tudo mudou. Deus colocou médicos maravilhosos na minha vida. Hoje estou completamente recuperada, não dependo mais de ninguém e voltei a fazer meus afazeres domésticos”, lembra ela, que também foi operada no Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro.

Já a paciente Rosângela de Oliveira, de 57 anos, moradora de Amarante do Maranhão, no Maranhão, teve a sua vida também transformada após o transplante realizado, em maio de 2025, pelo Dr. Raul Almeida, no Hospital Universitário Presidente Dutra.

“Entre 2016 e 2018, fiz dez cirurgias no quadril por causa de uma artrose grave. Depois, quando fiz o transplante, mudou a minha vida e foi um sucesso. Hoje posso dizer que recuperei minha qualidade de vida e voltei a ter uma rotina normal”, disse Rosângela.

De acordo com Dr. Rafael Prinz, no início o setor atendia principalmente às demandas internas do próprio instituto. Com o tempo, no entanto, a equipe percebeu que era possível ampliar esse acesso.

“Começamos a identificar os casos e a estruturar uma logística que permitisse que o transplante fosse realizado no próprio estado de origem do paciente, dentro do SUS. Hoje temos a felicidade de trabalhar com a maioria dos estados da federação. Enviamos tecidos para transplantes em diferentes regiões do país, como Acre, Pará e Rio Grande do Sul, ampliando o acesso a cirurgias ortopédicas complexas para quem mais precisa”, explica.


Estudo inédito vai ampliar o acesso

Além da assistência, o INTO lidera um estudo multicêntrico inédito, em parceria com outros bancos de tecido do país, para mapear o uso de tecidos musculoesqueléticos no Brasil, com a identificação de demandas, desigualdades regionais e oportunidades de ampliação do acesso.

De acordo com Dr. Prinz, o trabalho é um estudo multicêntrico, que permitirá traçar um retrato mais fiel da realidade brasileira.

“A expectativa é entender qual é a realidade de cada estado e confirmar algo que já percebemos na prática: existe um grande vazio assistencial na Região Norte do país. Acredito que, até o meio do ano, conseguiremos concluir esse grande projeto para termos dados mais consolidados sobre a realidade do painel de transplantes na ortopedia do nosso país e, assim, avaliarmos junto ao Ministério da Saúde alguma ação compartilhada para ampliar o acesso”, avalia Prinz".

Além da distribuição de tecidos, equipes do INTO também têm atuado diretamente no apoio aos serviços locais.

“Temos realizado ações em diferentes estados, com suporte técnico e compartilhando experiência para ajudar a estruturar esses procedimentos. A ideia é justamente fazer a diferença e ampliar o acesso da população a esse tipo de tratamento”, conclui.

 

 09/04/2026

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