Ir direto para menu de acessibilidade.
Início do conteúdo da página

Projeto Eu Vou!: treinamento em ônibus ajuda pacientes amputados a recuperarem segurança e autonomia.

Com apoio de terapeutas ocupacionais e de um ônibus modelo, a ação une reabilitação, acessibilidade, superação e inclusão.

 

Para muitos pacientes com amputação, chegar ao atendimento é a principal dificuldade. Foi a partir dessa realidade que nasceu o projeto “Eu vou!”. Há dois anos, essa iniciativa do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, em parceria com o Rio Ônibus, oferece treinamento prático para usuários que se sentem inseguros em voltar a usar o transporte público. São ações simples, como subir e descer as escadas do ônibus, passar pela roleta, sentar no local adequado, que se transformam em importantes passos rumo à independência, autonomia e segurança.

Os resultados aparecem não só reabilitação, mas também na forma como os pacientes passam a enxergar o mundo, e a si mesmos.

“Eu tinha medo de andar de ônibus. Hoje não tenho mais. Minha vida ficou mais leve, mais solta”, conta a paciente Márcia dos Santos, moradora de Maricá, que teve a perna amputada.

Para Luiz Henrique Alves, a ação também teve um impacto transformador: “Esse treinamento me deu autonomia. Antes, eu só vinha de carro. Hoje uso o ônibus com segurança e sem custos altos”, disse ele, que mora em Itaboraí.

Jorge Rocha Oliveira, morador de Duque de Caxias, que perdeu um dos braços, também destaca a mudança: “Aqui eu aprendi a subir e descer do ônibus com mais equilíbrio. Depois da prótese, ficou ainda melhor. Foi um aprendizado que mudou minha rotina.”

 

Durante as atividades, os pacientes aprendem, de forma simples e didática, como utilizar o transporte público com mais segurança. O treinamento é realizado pelos terapeutas ocupacionais da Área de Reabilitação do INTO, Larissa Francisco e Giovane Neves.

Os profissionais explicam que, para pessoas com amputação de membros inferiores, a orientação é subir primeiro com a perna preservada e depois trazer a prótese. Para descer, o movimento é invertido, o que garante maior estabilidade. Outro ponto importante é passar a muleta primeiro pela roleta e escolher um assento ao lado da janela para evitar possíveis quedas.

Já para cadeirantes, o treinamento inclui a entrada de costas no ônibus, o travamento da cadeira e o uso correto do elevador de acesso, sempre com o apoio da equipe e por meio de simulação realística.



“É fundamental avisar o motorista que vai subir com mais calma. São detalhes que fazem toda a diferença na prevenção de quedas”, orienta Larissa.

Vale destacar que o acompanhamento é contínuo. Os pacientes passam por avaliação individual e podem participar das atividades em grupo ou de forma personalizada, de acordo com suas necessidades.

Pacientes faltavam consultas por não terem condições financeiras

A terapeuta ocupacional, Sandra Helena Moura, conta que a necessidade do projeto começou ao perceber que muitos pacientes deixavam de comparecer às consultas por não terem condições de pagar um transporte por aplicativo ou por não contarem com apoio para o deslocamento. A partir daí, ela levou uma proposta sobre a necessidade de criar um espaço de treino realista para o uso do transporte público. A iniciativa ganhou força com o apoio da área de Projetos Especiais do INTO e se concretizou com a parceria do Rio Ônibus.

Para as atividades, um ônibus modelo fica estacionado no pátio do Instituto, onde pacientes vivenciam situações do dia a dia.

“Com o treinamento, o paciente vai ganhando confiança, melhora a funcionalidade e conquista independência”, explica Sandra.


Motoristas também passam por capacitação

Como parte da parceria, motoristas de ônibus participam de treinamentos no Instituto. Eles aprendem sobre tempo de embarque, uso da plataforma elevatória e, principalmente, sobre o cuidado e atenção às pessoas com deficiência. A proposta é construir um processo de aprendizado mútuo.

“Não adianta só o paciente estar preparado. A inclusão acontece quando todos fazem parte: profissionais, passageiros e sociedade”, reforça Sandra.

Outro alerta que o projeto faz é sobre a população sempre ceder o assento preferencial, que é um direito da pessoa com deficiência.

“É uma questão de humanidade e respeito. Precisamos retomar essa consciência coletiva”, completa.


11/05/2026

Fim do conteúdo da página